ARTIGO: Liquidação: verdade ou enganação?

20 fev 2018

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Ruy Giffoni é administrador do Royal Plaza Shopping e diretor do Sindilojas. Escreve regularmente no jornal Diário de Santa Maria sobre economia, comércio, varejo e desenvolvimento. A partir de hoje, seus textos passarão a figurar no site da entidade também.

Hoje o que mais se fala na mídia é liquidação. E isso acontece sempre no final das estações mais marcantes do ano, como verão e inverno. Isso, normalmente, acontecia no final de fevereiro e final de agosto. De uns anos para cá, começaram a se antecipar para gerar fluxo de caixa e a movimentar mais os clientes. Logo após o Natal, algumas lojas começaram a liquidar, para dar lugar a uma nova coleção de verão. São estratégias que nem todos conseguem acompanhar. Mas precisam ser avaliadas, já que o lojista tradicional não tem esta agilidade.

Quando se fala em liquidação, muitos clientes ainda pensam em enganação, em aumento de preços para depois dar desconto. Isso não acontece mais hoje, algum tempo atrás, até alguns lojistas despreparados e sem compromisso com seus clientes faziam bobagens, que já os levaram a sair do mercado.

Quando uma empresa perde a credibilidade, perde clientes, e é muito difícil se manter no mercado sem confiança.

Um grande amigo dizia que “o mercado não é Deus, pois Deus perdoa, o mercado não” e, além de não perdoar, cobra muito caro pelos erros.

Então, como podemos explicar descontos de 50% nas liquidações? Será que temos lojistas trabalhando com margens exageradas?

Precisamos explicar como funciona o varejo de moda, onde podemos incluir confecções, acessórios, calçados, tênis, perfumes e maquiagem etc…

Normalmente, estes produtos devem ser vendidos em, no máximo, 90 dias, fazendo quatro giros por ano.

Quando vendemos um produto com 50% de desconto há uma perda de aproximadamente 3%. Mas normalmente as liquidações são feitas para vender apenas o que restou da coleção. Esta sobra não deve superar 25% do total comprado.

Se for guardado para vender no ano seguinte, poderá ter saído de moda, mudado as tendências, pode manchar pelo armazenamento. Poderá até não ter condições de venda.

Vendendo, mesmo com desconto, poderá comprar novos produtos para vender e fazer quatro giros no mesmo ano. Um dos segredos do varejo é fazer a mercadoria rodar. Com margens menores, mas sempre rodando.

Além disso há os custos fixos da empresa com aluguel, funcionários, impostos e propaganda, que devem ser pagos mensalmente. E mercadoria parada no balcão não paga conta.

Por isso, na verdade, a liquidação é verdadeira e vale a pena tanto para o cliente como para o lojista. Mas o cliente tem que saber muito bem o que comprar. Não se empolgar demais e comprar além do que vai usar. Ou que pode sair de moda muito rápido.

As liquidações têm dado tão certo porque conseguem agradar a ambos: clientes e lojistas. Esse é o segredo do sucesso.