O Sindilojas traz pra você: Café com Lojistas e um resumão da NRF Big Show

29 jan 2018

nrf-2018

Todos os anos, em janeiro, Nova Iorque se transforma na capital mundial do varejo durante a NRF – Big Show, maior feira de comércio do planeta, em que as principais tendências do setor são apresentadas e discutidas por especialistas das maiores redes varejistas.

Na última semana, o Café com Lojistas, realizado pelo Sindilojas Poa, em Porto Alegre, trouxe um apanhado do que a comitiva gaúcha viu e experimentou durante a NRF. O Sindilojas Região Centro participou do evento e traz para seus associados as maiores tendências do varejo mundial para 2018. Confira:

Varejo em transformação

É consenso entre os maiores varejistas do mundo que o setor passa por grandes transformações. Ele já não é mais como conhecemos e deixa de ter relevância em seu padrão, diminuindo assim seu interesse por parte do consumidor. Um exemplo disso é que em 2017, mais de 20 mil lojas físicas foram fechadas nos Estados Unidos. Assim, entender o atual contexto é o grande desafio do lojista, pois o varejo em sua formatação tradicional já não é capaz de garantir resultados.

Nem tudo é culpa da tecnologia

Uma tendência natural da maioria dos lojistas que não consegue, ou não quere acompanhar a revolução digital, é culpar a tecnologia (ou as novas tecnologias). Mas a principal revolução que acontece e interfere com os resultados do varejo tradicional é a revolução de valores. Ou seja, as mudanças comportamentais e culturais. Elas interferem diretamente nos hábitos de consumo da população. Daí a importância de haver um trabalho constante por busca de informações sobre o público alvo.

Não é só o varejo que sofre

Por mais que o varejo seja um dos setores que mais sofre com as transformações digitais e comportamentais, elas afetam todos os segmentos de negócios. A inovação contribui para mudanças fundamentais na dinâmica dos mercados. Ficar atento a isso é estar um passo à frente da concorrência e aproveitar as brechas para se transformar também.

A forma de comprar mudou

Parece óbvio, mas não é. Isso porque não basta saber que a forma de comprar mudou, mas é preciso saber em como a forma de comprar se configura no momento. Com as opções mais usuais de compra, como a loja, a web e o mobile, hoje a compra é considerada “multicanal”, ou seja, ela começa em um “meio” e termina em outro. Por exemplo, uma compra que começou em uma loja física, com o atendimento ao cliente, pode ser finalizada pelo celular, após uma reflexão, durante um café. Ou em casa, pela internet. Da mesma forma, o cliente pode ser instigado a comprar pela internet ou celular e buscar o produto junto à loja e só então encerrar a compra. Daí a crescente tendência de transformar as lojas físicas em showrooms onde a experiência fala mais alto do que qualquer outra coisa. Proporcionar grandes experiências é uma peça chave para se enquadrar às transformações digitais. Em meio à tamanha concorrência (pode-se comprar no mundo todo através da tela do celular) quem oferecer a melhor experiência é que vai garantir a venda.

Phygital

Nem tão ao céu, nem tão ao inferno, como diz o ditado. Traduzindo: lojas físicas exclusivamente físicas não sustentam um negócio, tampouco lojas online. A grande tendência das grandes redes varejistas está no phygital, uma mistura de loja física com web, onde a experiência do showroom com a conveniência do online convergem em algo inovador e que se adéqua às necessidades de consumidores em potencial. “Fórmulas antigas não garantem mais resultados desejados. É preciso se promover a transformação digital combinando forças tradicionais com estratégia digital”, disse Alexandre Skoronsky, um dos palestrantes do evento.

O desafio

Ficou claro para todos os especialistas que participaram da NRF, que o grande desafio é repensar a experiência de consumo a partir de uma nova utilidade para as lojas físicas e integrar o processo ao digital, não tornando a loja online uma concorrente da loja de rua, mas um complemento vital na hora do fechamento de vendas. É preciso alcançar o consumidor onde ele estiver e atraí-lo. Para isso se deve trabalhar com dados, ultra segmentação, geolocalização, produção de conteúdo relevante e uso da tecnologia para a melhora da experiência.

A NRF Big Show 2018 contou com 35 mil pessoas de 95 países distintos. A segunda maior delegação, perdendo apenas para a americana, foi a brasileira. Dos gaúchos que participaram e compartilharam suas experiências durante o Café com Lojistas, em Poa, estavam o já citado Alexandre Skoronsky, sócio-diretor da agência Global; Giane Guerra, jornalista de economia e negócios do Grupo RBS; José Eduardo Hopf, fundador da Getnet; e Otelmo Drebes Junior, diretor de marketing e vendas das Lojas Lebes.

Texto: Guilherme Bicca

Foto:E-commerce Brasil